| “Terrorismo
vai durar, pelo menos, 20 anos”
2007/11/28
O terrorismo
é a principal ameaça à segurança
global e vai durar ainda "pelo menos uns vinte anos",
defende José Manuel Anes, director da revista "Segurança
e Defesa" e secretário executivo do OSCOT - Observatório
de Segurança e Criminalidade Organizada e Terrorismo
(ver biografia). O professor universitário e criminalista
condena a ideia de uma guerra com o Islão, na primeira
linha da ameaça dos grupos religiosos radicais, dá
pistas sobre o modo como os estados devem lidar com a ameaça
do terrorismo e defende, por um lado, uma mudança de
atitude dos ocidentais, com a solução a residir
no esforço diplomático, e, por outro, a necessidade
de os estados islâmicos recuperarem o atraso de quatro
séculos na entrada na modernidade, numa conversa com
a TDSNews.
O Terrorismo, em particular o praticado por organizações
de inspiração religiosa, é, hoje, a maior
ameaça global à segurança dos Estados?
Podemos dizer
que sim, porque é imprevisível. Não é
possível saber quando ou onde se vai realizar um ataque
terrorista. Como dizia recentemente o chefe do ex-Grupo Salafista
para a Predicação e Combate, na Argélia,
pronto a atacar e não apenas naquela região,
dirigindo-se à al-Qaeda e ao al-Zawahiri, “estamos
prontos a atacar onde vocês decidirem e quando”.
Ou seja, a ameaça pode concretizar-se em qualquer estado
e em qualquer momento, em alguns casos com maiores probabilidades
do que em outros.
Evidentemente
que há outras ameaças a considerar, como o aquecimento
global, a insegurança política e económica
internacional, as doenças e as epidemias. A nível
global, o terrorismo é uma ameaça real presente
e ainda para durar, há vontade, uns vinte anos, no
mínimo. E ainda por cima foram feitas várias
asneiras que, ao invés de o diminuírem, agravaram
o problema.
Eu acho que
se está numa fase nova da luta – e não
da guerra - contra o terrorismo que tem de ser multi-polar,
multi-disciplinar e multi-nacional. A este propósito
vejo com muitos bons olhos e muita alegria o regresso da França
a uma posição de relevo a nível internacional,
porque as competências francesas são muito importantes
pela grande experiência, particularmente nas zonas mais
perto de nós, como o Magrebe, Sahel e África
Ocidental. Existe, sobre este tema, um livro indispensável,
organizado por Jean Luc Marret, “Fabriques du jihad”,
e agora está a sair um novo livro deste autor sobre
a Jihad. O autor é um competentíssimo especialista
e um homem que promove uma compreensão profunda do
fenómeno e só compreendendo bem este fenómeno,
com diversas aproximações culturais, poderemos
resolver um problema difícil e com uma solução
muito embrulhada e degradada.
No livro, Teias do Terror - Novas Ameaças Globais,
escreve que ”neste tipo de terrorismo (religioso) considera-se
o mundo como um campo de batalha entre as forças da
luz e das trevas, pelo que o inimigo tem de ser totalmente
destruído. (…) O terrorismo suicida assenta numa
purificação do mundo, dos seus elementos poluidores
e na auto-purificação do mártir".
Como fazer face a esta ameaça, quando as motivações
são tão profundas e as exigências, por
parte das organizações terroristas, nomeadamente
os grupos religiosos radicais, são impossíveis
de responder?
De facto, estamos
perante um novo terrorismo, com muito pouco ou nada que ver
com o terrorismo laico e político dos anos 70. Também
é um terrorismo, mesmo no campo religioso, diferente
daqueles terrorismos que têm agendas nacionais, caso
do Hamas, Hezbolah, etc.. Os inimigos deste novo terrorismo
ultra-religioso são, em primeiro lugar, os próprios
árabes e muçulmanos, em geral, que não
correspondem à definição ultra-rigorista
desta vanguarda revolucionária com que nos defrontamos.
Porque eles consideram como inimigos os outros muçulmanos,
bem como os estados e governos que não seguem a linha
deles. Esta é, aliás, a primeira linha da ofensiva.
Apesar dessa realidade, generaliza-se junto da opinião
pública a ideia de que o Islão está em
guerra com os países ocidentais…
Completamente
falso. Isso é a coisa pior que se pode dizer, é
um erro tremendo. Primeiro, é mentira; segundo, é
injusto; terceiro, é uma falta de inteligência
enorme. Não é o Islão que é o
nosso inimigo, porque também os outros muçulmanos
são um alvo doutrinário e militar, prioritário.
Existe a pretensão, por parte dos terroristas, de substituir
alguns estados muçulmanos, daí o conceito de
Califado. Há uma discussão estratégica
muito importante, já no século XX, entre os
que defendem o ataque a um inimigo longínquo (os cruzados,
os sionistas, etc.) e os que defendem, como é o caso
da Al-Qaeda, o ataque a tudo, incluindo o inimigo próximo,
isto é, no entender deles, os apóstatas, os
maus muçulmanos. E, portanto, não podemos dizer
que o Ocidente é o inimigo, nem que o nosso adversário
é o Islão, isso é um erro tremendo. Infelizmente,
vemos algumas perspectivas neo-conservadoras que dizem que
basta ser muçulmano para ser nosso inimigo. Nós
não podemos consentir que as nossas estratégias
ou as deles, de vanguarda, façam com que os muçulmanos
moderados se lancem nos braços desses radicais. Temos,
pelo contrário, de separá-los.
Recentemente,
na Internet, a Academia de West Point e o maior especialista
americano de terrorismo, Bruce Hoffman, autor do livro “Inside
Terrorism”, publicaram um quadro, absolutamente exemplar,
com quatro círculos concêntricos. O primeiro
é “Islão”, a religião, mil
e trezentos milhões de crentes… não podemos
ter um problema com mil e trezentos milhões de crentes.
Primeiro, não é verdade, segundo, é injusto
e terceiro, a ser verdade, seria um problema insolúvel.
Logo, temos de ser inteligentes. O segundo círculo
concêntrico, imediatamente inferior, é “Islamismo”.
O Islamismo não é o Islão, é um
termo usado pelos politólogos franceses para designar
o Islão político. Todas as religiões
têm, de alguma maneira, uma agenda política e,
de facto, há correntes no Islão que dizem que
temos de fazer a sociedade à imagem da nossa religião.
Aí temos um fundamentalismo que não é
violento à partida, de modo algum. O penúltimo
círculo é o Salafismo, a proclamação
da necessidade de se ser tão piedoso como os antigos
para que haja outra vez o esplendor do califado. Se o Islamismo
aceita alguma abertura à modernidade, o Salafismo já
é um problema, por ser a rejeição absoluta
da modernidade, rejeita a separação religião/estado.
Nesse sentido, já temos um problema, embora, é
preciso dizer, que apenas uma parte do Salafismo é
jihadista, isto é, proclama a obrigação
da luta armada contra os inimigos do Islão, que não
são apenas os exteriores ao Islão, são
mesmo a grande parte dos muçulmanos.
Essa recusa da modernidade não é um
obstáculo?
É um
obstáculo. Vários especialistas da política
internacional, das relações internacionais,
têm ressaltado, nos últimos tempos, a necessidade
de termos alguma capacidade diplomática e de jogo de
cintura, no sentido de podermos aceitar que alguns estados
tenham uma promiscuidade, na nossa perspectiva, entre religião
e estado, desde que não seja radical, desde que não
seja absoluta e que não ponha em causa, naturalmente,
os direitos humanos. Mas, a situação está
tão negra que nós temos de dar algum espaço
para os fundamentalistas moderados, os que rejeitam a violência
e não ofendem os direitos humanos. Esses são
os quadros absolutamente fundamentais. Teremos de andar, durante
algum tempo ainda, com uma aceitação dessas
perspectivas. È evidente que a nossa perspectiva, do
ocidente moderno, que cremos estar certa e é um progresso
da humanidade, contempla a separação do estado,
a neutralidade do estado face às religiões.
Mas, não creio que seja possível hoje exportar
esse modelo para grande parte do mundo árabe e muçulmano.
Nós, na Europa, tivemos a res pública
cristiana e séculos de luta violentíssima para
conseguir fazer a separação entre a religião
e o estado. Portanto, provavelmente, o processo histórico
está atrasado e essa separação não
se faz pacificamente. Mesmo no ocidente, há casos onde
essa separação é pouco clara e às
vezes é posta em causa…
O processo
está atrasado, talvez uns quatro séculos. No
ocidente, na Suécia, felizmente, há já
algum tempo que a igreja luterana deixou de ser a igreja oficial
do estado. Em Inglaterra, temos a rainha que é a chefe
da igreja anglicana, mas, como dizia há dias o Dr.
Mário Soares na sua intervenção num colóquio
sobre “Religião e Violência”, esta
é uma questão meramente simbólica, porque
em Inglaterra existe, de facto, liberdade religiosa. Mas não
deixa de ser uma situação bizarra. Não
se percebe bem como é que a chefe de estado, no ocidente
moderno, pode ser também a líder religiosa.
Existe um grande problema que a al-Qaeda e os grupos salafistas
põem à Casa do Islão que é o da
incompatibilidade, segundo eles, entre o Islão revolucionário,
mas arcaico, com os tais quatro, cinco séculos de atraso,
e os aparelhos do estado moderno e lógica do estado
moderno. Daí eles resolverem isso com o Califado. Portanto,
o inimigo da primeira linha que eles têm, neste momento,
por exemplo, na Arábia Saudita, é a casa de
Saud…
E não
é por acaso que a Bin Laden foi retirada a cidadania
saudita. De facto, apesar de algumas ambiguidades, não
do estado saudita, mas de alguma parte família real,
que é muito grande, a verdade é que a Arábia
Saudita abre caminhos para a modernidade e continuará
a fazê-lo. Há mesmo outros estados do Golfo que
estarão até mais adiantados em alguns aspectos,
particularmente na questão da mulher. Para essa “vanguarda
revolucionária”, que não é libertadora,
não é defensora do Islão - pelo contrário,
é a sua principal inimiga -, o primeiro obstáculo
são aqueles a quem apelidam de apóstatas, os
maus muçulmanos, e os países árabes ou
muçulmanos governados por esses maus muçulmanos,
no entender desse Islão rigorista e ultra-fundamentalista.
Logo, eles rejeitam todas as formas de compromisso com a modernidade.
Rejeitaram, no tempo do Nasser e rejeitam também na
Síria, onde ainda hoje há um compromisso entre
a modernidade e a tradição, parece-me que bem
gerido até… E isto para eles é inaceitável,
nunca poderão aceitar. Esta posição nota-se
desde aquele primeiro estado wahabita, que resultou da aliança
entre o Wahab e a casa real saudita, nos finais do século
XVIII, princípios do século XIX, que teve ainda
alguma pujança na Arábia, depois de ter começado
por destruir Meca, matar muitos muçulmanos, por destruir
o túmulo do profeta, o túmulo de Ali. Para eles,
não é o ocidente que é o único
inimigo, mas também o outro Islão, o maioritário.
Logo, é errado da nossa parte considerarmos que o perigo
vem do Islão.
Na perspectiva ocidental, existem ainda algumas correntes
que defendem, por outros métodos, obviamente, uma conversão
à força dos estados islâmicos à
modernidade. Como vê esta situação?
Não
pode ser assim, é um erro. Eu sei que é uma
tentação da nossa parte. Já começou
isso e com êxito na Turquia do Ataturc, uma conversão
interna, mas promovida ideologicamente pelos valores da modernidade
ocidental – e daí não advém nenhum
mal e resultou bem. Agora, houve alguma força, houve
até algumas formas completamente piedosas e místicas
do Islão tradicional que foram condicionadas ou até
mesmo proibidas.
O próprio Burguiba na Tunísia teve que
fazer um decreto a proibir os maridos de bater nas mulheres…
E isso já
é modernidade, porque há o direito tradicional
de o marido castigar a sua esposa… Eu penso que nós
não podemos abdicar de que são bons valores
os valores que nós temos, mas também exportarmos
à força, não o podemos fazer, porque
isto vem dar argumentos à “vanguarda radical”
e, nesse sentido, temos de ser muito “softs” nessa
exportação dos nossos valores e encorajar que
eles próprios encontrem essa síntese entre tradição
e modernidade e entre a religião e o estado.
Toda esta situação de ameaça
terrorista gera, de algum modo, um paradoxo, porque os estados
ocidentais para fazerem face à cultura de medo que
se instala têm de tomar um conjunto de medidas que entram
em conflito com direitos, liberdades e garantias dos cidadãos,
de um modo inevitável. Ou seja, não se assiste,
por força desta ameaça, de uma regressão
daquelas que foram as conquistas democráticas ocidentais?
Eu penso que
não podemos falar de regressão, mas de alguma
limitação. É indiscutível que
os estados ocidentais têm de se defender, tomar medidas
preventivas… e isso pode invadir às vezes a esfera
do privado. Eu penso que desde que não se saiba concretamente
o que é que este indivíduo anda a dizer ao outro,
globalmente, mas, sim, que ele contactou este ou o outro,
não é propriamente uma grande ameaça
à privacidade.
Há que encontrar, portanto, um equilíbrio
novo…
E é
possível encontrar. E só saber realmente o que
foi dito em relação a quando são assinalados
alguns aspectos na conversa ou pela própria natureza
dos indivíduos - aí temos de saber o que é
que disseram.
Entramos no domínio dos instrumentos. Começo
por uma questão que tem levantado muita polémica
e inclusive foi tema central do recente colóquio organizado
pela revista "Segurança Defesa". Como compatibilizar
as medidas necessárias à luta ao terrorismo
e prevenção do terrorismo com a defesa dos direitos,
liberdades e garantias dos cidadãos, quando começa
a generalizar-se a percepção e o receio de que
tudo o que dizemos pode estar a ser escutado?
Bom, é
evidente que tem de haver um equilíbrio entre, por
um lado, os pareceres e sugestões feitas pelas forças
de segurança ao Estado e, por outro, os políticos,
os representantes do povo no parlamento, terão de ter
uma opinião e de promover uma coisa que eu considero
fundamental que é o controlo judicial de todas essas
escutas. Defendo que uma actividade de invasão potencial
da esfera privada deve ter um controlo judicial, como existe
em todos os países. Agora, aquilo que me parece um
pouco surreal em Portugal, sem ofensa para os surrealistas,
é nós acharmos todos muito bem que um dirigente
desportivo seja escutado porque está a combinar resultados
desportivos ou o quer que seja, mas quando falamos em vigiar
actividade de crime organizado ou terrorismo isso já
não pode ser. Isto é qualquer coisa que não
podemos admitir.
Isso é a perda total do sentido da hierarquia dos problemas.
E pela perda desse sentido, é o colocar em causa a
segurança dos portugueses…
É verdade,
e, enfim, na mentalidade de alguns portugueses, não
digo se de muitos ou poucos, não sei, o grande problema
nacional é a falsificação de resultados
desportivos no futebol. Já a questão do crime
organizado e do terrorismo não será tão
importante, porque não põe em causa o clube
A, B ou C. Isto nós não podemos admitir. Eu
penso que aí os políticos, os representantes
do Povo, têm de fazer uma pedagogia.
Se me permite fazer um pouco de humor. Então
o problema do terrorismo em Portugal só se vai pôr
quando a al-Qaeda começar a comprar árbitros?
Olhe que esse
humor tem lógica, dado que será a forma das
pessoas se sensibilizarem para o problema… De facto,
a verdade é esta, nós não sentimos em
Portugal este problema do terrorismo global como primeira
ameaça. Mas, a verdade é que temos esse problema
aqui ao lado, em Espanha, e aqui ao lado, em Marrocos - sim,
porque Marrocos fica ao nosso lado, aliás, Lisboa está
mais perto da capital marroquina do que da capital espanhola.
Ora, nós temos de ser solidários, para já,
por nossa defesa e também por defesa dos outros, temos
de ser solidários no espaço europeu, é
uma obrigação nossa, temos de ter serviços
de informação, temos de ter sistemas de escutas,
temos de partilhar informação e ser solidários
com os outros estados. Segundo, hoje em dia, um problema de
segurança em Marrocos ou na Argélia é
um problema de segurança da Europa, particularmente
do sul da Europa. Se nós formos inteligentes, não
estamos despreocupados com o facto de não sermos um
alvo prioritário desse terrorismo global, mas temos
de colaborar numa solidariedade internacional, no espaço
europeu, mas também no Mediterrâneo.
A Espanha também não era um alvo prioritário
até ao 11 de Março…
E não
sei se depois da visita do rei a Ceuta e Menilla não
volta a ser outra vez.
Os serviços de intelligence têm um papel
preponderante na antecipação de eventuais ataques.
Como se viu nos Estados Unidos a deficiente articulação
entre serviços de intelligence é um obstáculo
a essa tarefa. Como pode ser melhorada a cooperação
institucional quer dentro dos estados quer entre estados?
Em primeiro
lugar, é necessário que todos os estados tenham
capacidade para fazer esse serviço, porque hoje, em
Portugal, os próprios serviços de informação
não podem fazer escutas e estamos em plano de desigualdade
face à Europa. É preciso que os serviços
de informação, controlados judicialmente, possam
fazer escutas. Depois, temos a questão da partilha
de informação para nossa defesa e esta é
uma questão tradicional dos diversos o serviços
de informação. Eu só recebo informação
se tiver informação para dar. Existe uma espécie
de “negócio” baseado na confiança;
a confiança é fundamental. Por fim, não
podem haver países de primeira e de segunda, devido
a alguns contextos culturais e políticos, no espaço
europeu ou internacional, tem de haver cooperação,
isto é absolutamente indispensável. Não
podemos esquecer que a doutrina tradicional de combate ao
terrorismo passa, primeiro, pelas informações;
segundo, pela investigação criminal de prevenção;
terceiro, pela intervenção diplomática,
política, social ou económica de cooperação;
quarto, pelas unidades de contra-terrorismo, prontas a actuar,
quer a nível policial, quer a nível militar.
Mas, antes de chegarmos a esta quarta componente há
toda uma longa história que tem como primeiro capítulo
as informações. Se eu não tiver boas
informações, eu desconfio de toda uma comunidade
religiosa e cultural e, se assim for, além de estar
a ser pouco inteligente, estou a ser injusto. As informações
permitem distinguir entre o que é perigoso e o que
não é perigoso. O que é hoje perigoso
é ultra-minoritário, daí que as informações
sejam o radar indispensável nestes tempos de nevoeiro
que estamos a atravessar. É fundamental que consigamos
perceber de onde vem o perigo, quer interna, quer externamente.
Em Portugal, estamos preparados para responder à
ameaça do terrorismo? Portugal pode ser um alvo?
Ninguém
pode dizer que está totalmente a salvo de um ataque
terrorista, porque uma das características do terrorismo
é, como já havia referido anteriormente, a imprevisibilidade
espácio-temporal e, portanto, se houver a oportunidade
e for interessante mediaticamente podem fazer aqui um atentado.
No entanto, é verdade que não somos um alvo
prioritário, mas, repito, temos aqui ao lado Espanha
e Marrocos como dois alvos prioritários. Espanha, país
ocidental, já foi vítima; Marrocos, país
muçulmano, também já foi vítima
e pode vir a ser de novo.
No chamado triângulo RAIA, Região Atlântica
Ibero Africana, o único país que ainda não
foi alvo é Portugal…
Apesar de nas
declarações do al-Zawahiri, o número
dois da al-Qaeda, ele já ter incluído Portugal
como uma terra a libertar. Isto é, ele fala na libertação
ou na restituição do Al-Andaluz ao Islão,
ora, falamos do sul de Espanha, mas também de Portugal,
porque todo o sul de Portugal era o Garb al-Andaluz, a parte
mais ocidental do Al-Andaluz. Logo, não direi que estamos
na primeira linha da agenda terrorista, mas estamos incluídos
e isto já mais que suficiente para que estejamos preocupados
e tomemos as medidas necessárias.
José Mateus Cavaco Silva/André Gonçalves
Nunes
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