| Carta
a João Soares - para esclarecer um equívoco
Caro
Amigo e Irmão Dr. João Soares:
Permita-me
que exprima algumas ideias e sentimentos relativamente ao
que se passou ontem:
1
– Na nossa reunião havida na Pousada de Queluz,
foi-me claramente solicitado por si (perante testemunhas)
o exercício da solidariedade e da fraternidade maçónicas,
valores a que sou muito sensível particularmente quando
as pessoas em questão me merecem consideração,
como é o caso, pelo que aquiesci – embora, no
passado, não tenha sido alvo dessas mesmas manifestações,
em alturas em que fui injustiçado, particularmente
em anterior Vereação da C. M. de Sintra.
2
– No entanto, disse-lhe também claramente (também
perante as mesmas testemunhas) que nada faria contra o Prof.
F. Seara, pelo que não participaria em campanha eleitoral
– decisão aliás tomada já há
tempo; como disse, o Prof. F. Seara é uma pessoa séria
que me merece a maior consideração e amizade.
3
– Foi, por isso, com surpresa, que me disseram que ontem
já estava no site da sua campanha Puxarporsintra, o
anúncio público da minha “adesão”
à sua candidatura – o que contraria o que lhe
pedi, já que me situa no campo que afronta a Candidatura
do Prof. F. Seara - , acompanhada de uma foto minha paramentado
como Grão Mestre – o que é inaceitável
já que não só não me foi pedida
autorização para tal, como nunca poderia permiti-lo
pelo entendimento que tenho da função que exerci.
4
– Há muitas maneiras de exprimirmos a nossa fraternidade
e solidariedade, sem que seja necessário tornarmo-nos
militantes de uma campanha eleitoral para a qual – para
as quais! – já há muito decidi não
participar. Estou afastado da vida política há
25 anos (desde que, enquanto funcionário da P.J., me
foi proibida qualquer actividade desse tipo) e optei por uma
carreira de professor universitário (embora convidado,
desde há 18 anos, na FCSH/UNL), de investigador e de
escritor. É certo que sou maçon e que cheguei
a Grão Mestre, mas em meu entender a Instituição
maçónica não deve ser utilizada para
fins políticos partidários, por mais respeitáveis
que eles sejam. Poderei aparecer com políticos, mas
apenas nas minhas condições atrás indicadas,
não nesta última.
5
– Lamento este episódio e sobretudo a utilização
indevida da minha foto paramentado como G.M., que me faz pensar
que é nesta condição que a minha solidariedade
é solicitada, o que não posso aceitar de modo
algum, já que para mim a Maçonaria não
é uma profissão. Houve certamente um mal entendido
que não irá prejudicar a minha amizade fraterna
por si, mas que certamente, estou certo, irá rectificar
a posição de apoio militante que queriam, vejo
agora, que eu tivesse face à candidatura Puxarporsintra.
Sabe muito bem que pode contar comigo no âmbito das
minhas competências, mas não como militante político,
nem como maçon “profissional”. Espero que
agora tenha podido esclarecer este mal entendido, até
porque só agora percebo aquilo que desejavam. Lamento
que não tenham ouvido as restrições que
eu, claramente na reunião de hoje (perante essas mesmas
testemunhas), impus a essa solidariedade pelos motivos que
invoquei.
6
- Desejo-lho felicidades na sua campanha e, se o povo de Sintra
o escolher, já sabe que pode contar comigo, no caso
de vitória, tal como contaria comigo durante a sua
campanha, nas áreas da minha competência técnica.
Qualquer outra colaboração está fora
da minha ideia e da minha sensibilidade.
Caparica,
19/9/05
Um fraterno abraço do
José Manuel Anes
P.S.:
Recordo que lhe disse (perante as mesmas testemunhas), já
no fim dessa mesma reunião, que a expressão
da minha solidariedade nunca poderia significar estar eu contra
a candidatura do Prof. F. Seara. Verifico que a maneira como
foi apresentada a minha foto no site da sua campanha está
contra esse meu desejo, pois estou claramente a ser utilizado
por si como arma de arremesso contra a o meu Amigo Prof. F.
Seara. Aliás, já em Junho, eu tinha aparecido
com ele, no Correio da Manhã, numa reportagem –
aquando de uma visita minha à Quinta da Regaleira,
em que ele quis ter a amabilidade de me saudar e de saudar
os meus alunos que me acompanhavam – o que significava
uma solidariedade amiga para com a sua figura, logo com a
sua recandidatura, postura que não se alterou entretanto.
Expressei agora, a seu pedido, Dr. João Soares, a minha
solidariedade maçónica com a sua figura e a
sua candidatura, mas isso não pode querer dizer nunca
um “apoio” político, pois isso significaria
estar eu contra o Prof. F. Seara e a sua candidatura, o que
não é verdade. As solidariedades que eu demonstrei,
por razões diversas, para com os dois candidatos, não
são de modo algum apoios políticos, pois nesse
caso teria de apoiar os dois, o que não seria coerente.
São “apenas” solidariedades, o que é
bem diferente – para mim é muito, para outros
será pouco...
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